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Momento DiVino "Vinícola Campestre: do Pérgola aos Zanotto" 16/05/26 - A Tribuna Jornal - Santos
MOMENTO DIVINO 16-05-2026

Santé! Para falar da Vinícola Campestre é preciso começar por um dado incontestável: foi ela quem criou o Pérgola, ícone nacional dos vinhos de mesa suaves.


Vale recordar, leitor(a), que vinho de mesa é aquele elaborado a partir de uvas americanas, não viníferas ou uvas de mesa, como Isabel e Bordô, variedades que compõem o Pérgola. Diferenciam-se dos vinhos finos, produzidos a partir das vitis vinífera, as tradicionais uvas europeias.


Nos últimos 12 anos, consecutivos, a vinícola vem se consolidando no mercado por sua elaboração cuidadosa e tecnicamente precisa do dito vinho de mesa. Para se ter dimensão do fenômeno, somente no último ano foram comercializadas cerca de 45 milhões de garrafas de Pérgola, volume que representa aproximadamente 20% do mercado brasileiro de vinhos. O rótulo também ultrapassou fronteiras e hoje é exportado para Estados Unidos, Guiana, Suriname, África do Sul, Gana e Paraguai.


Faço questão dessa distinção porque participei recentemente da degustação de vinhos finos da Vinícola Campestre, os quais alguns eu já conhecia e reforço são vinhos premiados e merecedores de destaque.


A prova reuniu sete rótulos da linha Zanotto, conduzida pelo enólogo-chefe André Donatti, eleito pela ABE o melhor em 2024, a quem agradeço o convite. A linha homenageia a família Zanotto, descendente de imigrantes italianos, cuja trajetória empreendedora ganhou força pelas mãos de Maurilio Zanotto, fundador da vinícola em 1968, em Campestre da Serra, região de Campos de Cima da Serra, norte do Rio Grande do Sul. Foi ali, entre vinhedos de uvas americanas, que nasceu o Pérgola, ao lado da produção de sucos de uva e maçã.


Outro aspecto que chamou minha atenção foi a divisão entre as unidades produtivas. Enquanto a história do vinho de mesa permanece ligada a Campestre da Serra, os vinhos finos passaram a ser elaborados em Vacaria, onde a empresa instalou, em 2015, sua nova sede, atualmente sob direção de João Zanotto.


Os vinhedos situam-se entre 900 e 1.200 metros de altitude, em uma região marcada pela expressiva amplitude térmica: manhãs ensolaradas e noites frias favorecem a maturação lenta e equilibrada das uvas, imprimindo personalidade ao terroir dos Campos de Cima da Serra.
Entre as variedades brancas cultivadas estão Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Moscato Giallo. Já as tintas incluem Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Pinot Noir, Sangiovese, Syrah, Tannat e a curiosa Rebo (variedade originária do Trentino-Alto Ádige, resultado do cruzamento entre Merlot e Teroldego).


Desde 2020, o enoturismo também ganhou protagonismo na vinícola, com a inauguração de um completo centro de hospitalidade e beleza. O visitante pode vivenciar uma verdadeira imersão no universo do vinho, por meio de tours guiados, visitas às caves e degustações conduzidas pelos próprios enólogos da casa.


Vale ressaltar o Sauvignon Blanc Zanotto, um vinho de grande expressividade do terroir de Vacaria, revelando a mineralidade característica da região. Os espumantes da vinícola também vêm conquistando reconhecimento e premiações internacionais. A seguir, cito quatro rótulos que particularmente me impressionaram.

Até a próxima taça!

momentodivino@atribuna.com.br 

@claudiaenoamigos



 

PROVEI E INDICO

Zanotto Gewürztraminer 2025-Vacaria-Campos de Cima da Serra/RS

(20 meses sur lie contato c as leveduras)
Uva: Gewürztraminer (13° GL)
Cor: amarelo com dourado e certa turbidez
Nariz: aromas de brioche e pão tostado se mesclam a lichia, pêssego e mel
Boca: seco, ótima acidez e cremosidade, corpo médio, saboroso, final de boca suave
Tiragem 1.000 gfs R$ 89,90

Zanotto Reserva Pinot Noir 2023- Vacaria/C de Cima da Serra/RS
(12 meses carv. francês 2° uso)
Uva: Pinot Noir (14° GL)
Cor: rubi, média intensidade, brilhante
Nariz: frutas vermelhas, especiarias, madeira e algo terroso
Boca: seco, corpo médio, acidez e taninos delicados equilibrados, textura sedosa
R$ 139,90

Zanotto Reserva Corte 2022 -Vacaria/C. de Cima da Serra/RS
(12 meses carv . francês e americano)
Uva: Tannat, Merlot, Malbec e Syrah (12,5° GL)
Cor: rubi com reflexos alaranjados, límpido e brilhante
Nariz: frutas vermelhas maduras, café, especiarias,
Boca: seco, frutado, ótima acidez, taninos macios, equilibrado e persistente
R$ 149,90

Zanotto Troppo Maturo 2020-Vacaria/C. de Cima da Serra/RS
(Uvas sobre maduras e 34 meses em carv. francês)
Uva: Merlot e Tannat desidratadas no vinhedo
Cor: rubi com granada límpido e brilhante (16°GL)
Nariz: ameixa, amora, mirtilo, cassis, anis, chocolate, couro, complexo.
Boca: seco, frutas sobre maduras, taninos macios e textura densa, levemente adocicado no final de boca, potente e elegante
Tiragem 3.500 gfs R$ 479,90


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