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Vinho: Riqueza de sabor e tradição - Revista Estar Bem Nº2
Vinho é saúde?
ARTIGOS 01-01-2010

A mídia hoje em dia tem dado enfoque ao vinho como um possível beneficiador da saúde humana.
Fala-se do paradoxo francês, da dieta do vinho, de suas benesses em favor do colesterol, da prevenção ao câncer...

Tantos os benefícios anunciados...mas, será o vinho realmente eficaz contra tantas mazelas?

Uma taça de história - O vinho é uma bebida que faz parte da história da humanidade e nela deixou suas marcas em cada época:

450 a.C. - O médico grego Hipócrates utilizava o vinho como antisséptico, sedativo, diurético e o prescrevia para o dia a dia também;

Século II, d.C. - Galeno, célebre médico na Roma antiga, também o receitava a seus pacientes, utilizando-o principalmente para cuidar dos gladiadores feridos;

Século XIII, d.C. - Arnoldo de Villanova, médico e filósofo catalão  já advertia que para curtir uma vida saudável o ideal seria a ingestão de vinho durante as refeições, não sendo recomendado nos intervalos;

Egito antigo - o vinho foi prescrito como orexígeno (estimulante para abrir o apetite) e ainda para tratar bronquite, verminoses e outros males.

Ratificando a teoria anterior, Paracelso, médico suíço, pai da terapêutica moderna afirmava: "o vinho é um alimento, um remédio e um veneno - é apenas uma questão de dose".

Foi assim que, paralelamente à utilização do vinho para certos males, o famoso cientista francês Louis Pasteur, em 1865, descobriu que "o vinho é a mais saudável e a mais higiênica das bebidas", revolucionando a sua compreensão científica e o definindo como uma bebida sã. Tanto o é, que foi até mesmo adicionado à água, para sua esterilização, durante epidemia de cólera em Hamburgo, em 1892.

Podemos notar que a relação vinho/saúde já ocorre há muitos séculos.


Uma taça de técnica
- Dentre as bebidas alcoólicas, é o vinho a que mais pode beneficiar o homem por causa de seus polifenóis, que são componentes antioxidantes, produzidos em abundância pela videira (parreira), tendo sua concentração nas cascas e sementes da uva, contribuindo com a evolução de sabor, cor e aroma dos vinhos.

Os polifenóis das uvas mais estudados são o resveratrol, os flavonóides, os taninos e as catecinas ou procianidinas, entre os mais de mil encontrados.  A concentração de polifenóis nos vinhos tintos é cinco a dez vezes maior que nos vinhos brancos. Isso porque as uvas tintas têm maior riqueza polifenólica e sua extração na vinificação é muito maior (na vinificação de vinhos tintos há maceração das uvas inteiras, já nos brancos o tempo de maceração com as cascas é muito pequeno, mínimo, ou inexistente).



Uma taça de saúde
- Diante dos resultados de muitas pesquisas científicas, percebemos que o vinho é recomendado para o tratamento de vários males contemporâneos, como o colesterol, sendo que seu consumo moderado diminui os níveis de LDL (ruim) e aumenta o HDL (bom).

Ainda, o vinho também previne o risco de entupimento das artérias coronarianas, evitando um infarto do miocárdio.

Sabemos também que pode ser grande coadjuvante na prevenção do Mal de Alzeimer, onde os polifenóis atuam evitando o envelhecimento das células cerebrais. Ainda neste sentido, agindo nas células cerebrais, o vinho evita o surgimento de depressão, doença que atinge tantas pessoas hoje.

E não pára por aí, ele é coadjuvante na prevenção de doenças pulmonares, doenças do aparelho digestivo e do aparelho urinário. Para tratamento de diabetes tipo 2, não insulino dependente, o consumo moderado melhora a sensibilidade das células periféricas à insulina, e pode até ajudar a diminuir achances de mulheres se tornarem diabéticas. Meninas, uma taça!

O vinho também é auxiliar no tratamento de anemia, já que o álcool permite maior absorção de ferro pelo organismo - um copo de vinho contém 0,5mg de ferro.

E ainda: reduz riscos de osteosporose e reduz degeneração macular - que ocasiona cegueira em idosos.
Recentemente a revista Wine Spectator publicou resultado de pesquisa sobre o resveratrol, publicado na edição de julho do Journal of Experimental & Clinical Cancer Research. Na pesquisa, o resveratrol foi destacado como importante defensor do vírus do resfriado comum, da poliomielite e do H1N1 "gripe suína". Com a presença desta substância no organismo, os agentes infecciosos não conseguem se reproduzir!  Não é ótimo?

O paradoxo francês é fundamentado no fenômeno estatístico de uma incidência relativamente baixa de doenças cardíacas na França apesar de uma dieta rica em gorduras de origem animal no país, tudo porque os franceses bebem vinho durante suas refeições - sempre regadas a muito azeite, é claro!


Uma taça de sensatez
- Entretanto, não podemos negar a existência do alcoolismo e as suas conseqüentes doenças, demonstrando que vinho é saúde apenas e tão somente para os que moderam o seu consumo.

Afinal, todos sabem que o consumo excessivo de álcool leva a muitas doenças:

O consumo do vinho e de qualquer outra bebida alcoólica deve ser sempre moderado. A moderação é a determinante para ingestão deste "néctar" (palavra que se referia ao vinho na mitologia grega e que significava aquela que supera a morte).

Então, atenção: consumo equilibrado será determinado de acordo com o sexo da pessoa, sua idade, seu peso, suas condições de saúde (pessoas isentas de patologias).

Os médicos recomendam:  30g de álcool por dia para os homens (cerca de 330ml) e 15g para as mulheres (cerca de 165ml) o equivalente  para os homens quase meia garrafa de vinho por dia, já para as mulheres a metade, pois são menos tolerantes ao álcool e tem menor proporção de água no organismo, sempre de acordo com peso.

Este é o consumo ideal por dia durante as refeições para que se tenha uma vida saudável prevenindo o câncer de próstata, o câncer de mama, de estômago (para este recomenda-se de uma a duas taças por dia).

Também devemos destacar que quando se trata de benefício à saúde o vinho deve ser seco, pois vinhos suaves e doces podem aumentar a taxa de açúcar e gordura no sangue.


Um brinde à conclusão!
- Vinho é saúde sim, desde que consumido moderadamente e acompanhando as refeições.

Nada como essas palavras ancestrais de Eubulus, estadista e filósofo de Atenas, que cito sempre em minhas palestras, para demonstrar aos iniciantes que devemos ter muito respeito ao vinho, pois do contrário...

"Eu preparo três taças para o moderado: uma para a saúde, que ele sorverá primeiro; a segunda para o amor e o prazer que o fará regozijar e a terceira para o sono. Quando essa taça acabar, os convidados sábios vão para casa. A quarta taça é a menos demorada, mas é a da violência; a quinta é a do tumulto; a sexta da orgia; a sétima a do olho roxo; a oitava é a do policial; a nona da ranzinzice e a décima a da loucura e da quebradeira dos móveis" (375 a.C.)

Até a próxima taça!

(Coluna na Revista Estar Bem vol. 2)

Fontes de pesquisa:
A história do vinho - Hugh Johnson - Companhia das Letras/1999
Vinho e Saúde: vinho como um alimento natural - Dr. Jairo Monson de Souza Filho e Vitor Manfrói -
Ibravin, 2005
Dr. Jairo Monson de Souza Filho - diversos artigos sobre vinho e saúde nos mais importantes institutos do vinho no Brasil, UVIBRA, IBRAVIN, Associação Brasileira de Enologia, com páginas na internet e em sites especializados em vinho.
Vinho: Saúde e Longevidade - 2005 - Dr. Antonio Carlos Nascimento - Ed. Idéia e Ação
Artigo do Dr. Gustavo Andrade de Paula (médico e atual presidente da ABS-SP) na revista Wine Style nº 1, em 2005.
www.winespectator.com - site da revista Wine Spectator.

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